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Crítica filme ‘Velhos Bandidos’

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Foto: Laura Campanella

A comédia de ação Velhos Bandidos, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de março, parte de uma premissa que poderia facilmente se esgotar no entretenimento leve, mas encontra algum fôlego ao tensionar, ainda que de forma discreta, as expectativas do próprio público.

Dirigido por Claudio Torres, o filme reúne Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos em um encontro geracional que, por si só, já sugere um jogo interessante de contrastes — ainda que o roteiro nem sempre explore todo o potencial dessa dinâmica.

O Site Drivla acompanhou a cabine de imprensa realizada em 17 de março, em São Paulo, e assistiu ao filme em primeira mão.

A trama gira em torno de um assalto improvável liderado por Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura), que rompem com a imagem tradicionalmente associada à velhice ao assumirem o controle da ação. Ao lado deles estão Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), dupla mais jovem que funciona como espelho e, em certa medida, como resistência inicial à proposta. No encalço do grupo, o investigador Oswaldo (Lázaro Ramos) cumpre o papel esperado de tensionar a narrativa, ainda que dentro de limites bastante convencionais.

O filme se vende como comédia — e de fato entrega —, mas é naquilo que escapa ao rótulo que encontra seus momentos mais interessantes. Há reviravoltas bem colocadas, incluindo um plot twist final que reposiciona a leitura da história, ainda que sem romper completamente com a lógica do gênero.

O ponto mais interessante, no entanto, está na forma como o etarismo aparece no filme. Ele está presente ao longo da narrativa, ainda que não seja tratado como discurso ou como eixo central da história.

Dentro do tom cômico, essa questão surge de forma clara, integrada às situações e às relações entre os personagens, sem interromper o ritmo do filme. Não há um aprofundamento direto, mas o tema se mantém visível, atravessando a narrativa de maneira leve e natural.

No campo das atuações, Fernanda Montenegro reafirma sua presença magnética, organizando a cena com precisão e naturalidade. Não há esforço aparente — apenas domínio.

Já Vladimir Brichta aposta em um Sid levemente caricatural, explorando o exagero como recurso cômico. É uma composição que flerta com o risco, mas que se sustenta no timing e na segurança do ator, reforçando sua capacidade de transitar entre registros distintos.

Ary Fontoura sustenta Rodolfo com uma presença que dialoga bem com o ritmo do filme, equilibrando o humor com uma certa sobriedade que impede o personagem de cair na caricatura. Já Bruna Marquezine constrói Nancy a partir de um registro mais contido, funcionando como ponto de apoio dentro da dinâmica do grupo e reforçando o contraste geracional proposto pela narrativa. Lázaro Ramos, por sua vez, imprime ao investigador Oswaldo a energia necessária para sustentar a tensão da trama, ainda que dentro de um arco mais previsível, cumprindo com eficiência o papel que lhe é atribuído.

Com distribuição da Paris Filmes, e produção da Conspiração Filmes em parceria com TV Globo, Claro e Star Original Productions, Velhos Bandidos encontra seu equilíbrio entre o entretenimento e aquilo que discretamente provoca. Diverte, aposta em boas situações e insere, quase sem anunciar, uma camada de leitura que tensiona expectativas — especialmente no modo como reposiciona seus personagens dentro da narrativa.

Foto: Laura Campanella

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