A atriz conversou com a Vogue Brasil sobre Cibele, a terceira temporada de Os Outros no Globoplay, e o que significa construir uma carreira de quase 40 anos com tanto afeto do público
Carminha, Catarina… Poucas atrizes brasileiras construíram um repertório tão preciso de mulheres impossíveis de ignorar, criaturas que o público odeia amar, que invadem a memória afetiva do país e ficam por lá, sem pedir licença. O instinto que conduziu Adriana Esteves a cada uma delas é o mesmo que a trouxe até Cibele, protagonista de Os Outros, série original do Globoplay cujos quatro últimos episódios chegam ao streaming nesta quinta-feira.
Nesta terceira temporada, Cibele foge com Marcinho (Antonio Haddad) depois do roubo ao cassino de Sérgio, muda de nome, corta o cabelo e tenta recomeçar do zero numa comunidade serrana, perseguida por Tavares (Cadu Fávero) e cercada por novos vizinhos que também têm o que esconder. O desespero como motor é o que garante à série, nas palavras da própria atriz, “momentos de muita tensão em cenas de ação”. E sustentar esse estado limite por três temporadas seguidas exigiu um tipo específico de comprometimento. “Continuar com a personagem Cibele representou, pra mim, um compromisso com o que ainda não tinha sido completamente dito. A necessidade de seguir essa história me conduziu à reflexão sobre o refinamento da criatividade. E não abandonar o que ainda não se esgotou”, disse ela em entrevista à Vogue Brasil.
O que faz Cibele funcionar, o que faz o público continuar do lado dela mesmo quando ela cruza linhas que não deveriam ser cruzadas, tem a ver com o que Lucas Paraizo escreveu no centro da personagem: uma mãe. “Uma mãe cuidadosa e protetora que se vê em situações-limite por amor ao filho”, define a atriz. É esse núcleo que desarma qualquer julgamento mais fácil, e é também o que explica o alcance internacional da série, vendida para Estados Unidos, Alemanha e Grécia. “Todas as personagens da série, nas três temporadas, possuem identificação com o comportamento de tolerância ou intolerância inerente à humanidade”, avalia Adriana.
Com quase 40 anos de carreira, ela segue sendo uma das atrizes mais amadas do Brasil num tempo em que a internet distribui afeto e ódio na mesma velocidade. E reconhece isso com uma gratidão que não soa protocolar. “Sou uma mulher extremamente grata a tudo que minha profissão me trouxe. Ter encontrado meu ofício tão jovem e ter me dedicado profundamente a ele me traz todas as alegrias que venho recebendo ao longo da vida. Meu sentimento de amor e gratidão são imensuráveis. E me surpreendo a cada dia com tanto que recebo.”
No horizonte, especula-se um retorno ainda mais aguardado: Carminha, a vilã que parou o Brasil em 2012, pode voltar em Avenida Brasil 2, sequência prevista para 2027. Adriana não confirma nem nega, e deixa o foco inteiramente em Os Outros. “Ainda não consigo definir meus projetos futuros”, diz ela, antes de concluir com a frase que resume bem o jeito com que parece encarar a própria carreira: “Uma das grandes alegrias de minha função de atriz é estar aberta a infinitas possibilidades. Estou entregue a elas. Essa esperança vai me movendo. Amém!”
Foto: Manuela Mello/TV Globo







