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Vladimir Brichta se desafia em primeiro solo da carreira

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Vladimir Brichta está em cartaz com o seu primeiro solo da carreira, O Menor Palco do Mundo. O espetáculo mal estreou e já é sucesso: a temporada no Teatro Vivo foi prorrogada até 13 de dezembro, com sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Dirigido por Luiz Felipe Reis, o espetáculo reflete sobre paternidade e masculinidade, temas caros ao ator de 50 anos.

Idealizada por Aura Cunha e Paula Picarelli, a peça parte do texto e da história real do australiano Kim Crotty. O autor foi preso por cometer um erro e, da prisão, elabora sobre a distância dos filhos a impotência diante do sistema e a própria existência. “Me interessei pela história de imediato”, afirma Brichta. “Fui pai cedo, aos 21, e ano passado meu filho mais novo, de 19, saiu de casa. A sensação de ninho vazio veio com força”, relata.

Na trama, o sujeito lamenta a ausência na infância dos filhos pequenos. “Não entramos no debate da ilegalidade, o foco é o preço que ele paga por isso, que é a distância das crianças.” A partir dessa dor, ele tenta se reconectar por um viés lúdico, enviando cartas. O pretexto leva também a um pensamento sobre o pai dele.

O caso aconteceu na Inglaterra e, para criar um diálogo com a nossa realidade, foi adicionado um elemento pontual na performance, um outro personagem além do Kim, que proporciona um elo direto. Na dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Paula Picarelli, há um ator brasileiro que recebe o texto e reage à história, em uma espécie de metalinguagem.“Nesse processo, o ator começa a identificar algumas ressonâncias com aspectos da vida dele”, explica Reis.

O cenário remonta uma caixa de papelão, que serve para o lugar desejado na cena, seja uma cela ou uma casa. O espaço multiúso também tem o propósito de operar em diferentes tempos, entre vivenciar as situações no presente, narrá-las como lembranças do passado e dialogar sobre elas com o público. “O confinamento nessa caixa viabiliza uma metamorfose. A prisão é uma espécie de espelho inevitável para ele olhar o homem que é. Começa a se questionar e colocar em jogo uma outra possibilidade de existência no mundo”, define o diretor.

Segundo Reis, o papel caiu como uma luva para Vladimir. “Ele é um ator muito sensível, com uma capacidade de fazer a gente rir e chorar sem ser apelativo, navega entre o humor e momentos emocionalmente densos com muita facilidade, presença e entrega. É um cara muito comprometido”, descreve.

O artista estudava há alguns anos a possibilidade de fazer um solo e finalmente deu certo o desafio de ficar sozinho em cena pela primeira vez.

“Não sou daqueles que ficam desesperados, durmo bem, não fico nervoso”, revela o ator. Porém, os hábitos têm sido diferentes desta vez.

Com o dobro de texto que teria em uma peça com outros atores, as “pinceladas” para mudar o tom, a forma, a cor ou a dinâmica em cena ficam totalmente por sua conta. “É um processo mais solitário. Tenho acordado no meio da noite, penso no texto e durmo de novo.”

Ele já vê aprendizados da experiência: “Com colegas de cena, sempre entrego a bola com agilidade para a outra pessoa, essa energia é uma característica minha. Estar sozinho me obrigou a aprender a respirar”.

Fonte: https://bravo.abril.com.br/teatro/vladimir-brichta-se-desafia-em-primeiro-solo-aprendi-a-respirar/

Foto: Christian Gaul/Bravo

 

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