O filme “Zico, o Samurai de Quintino” teve uma passagem marcante por São Paulo nesta semana, começando com a cabine de imprensa realizada no último dia 13 de abril e culminando na coletiva de imprensa que aconteceu hoje, dia 15. O que mais impressiona nessa produção é a coragem de romper com o formato tradicional das cinebiografias esportivas. Em vez de entregar um roteiro linear e previsível, o filme opta por uma montagem muito mais rica e fragmentada, que explora nuances da vida do Zico que a maioria das pessoas nunca teve acesso. Como alguém que vive o universo das artes, é gratificante perceber que o filme não se contenta em ser apenas um registro de gols; ele é uma peça narrativa que humaniza o mito. Mesmo para quem, como eu, torce para o Flamengo e já carrega uma idolatria antiga pelo Galinho, a obra consegue revelar fatos inéditos e camadas da personalidade dele que surpreendem e emocionam, transformando a experiência de assistir em algo muito mais profundo do que uma simples homenagem.
Um dos pontos mais altos do filme é a profundidade com que trata a trajetória de Zico no Japão. A pesquisa traz elementos fundamentais para que o público brasileiro entenda, de uma vez por todas, por que ele é tratado como uma divindade do outro lado do mundo. Zico não foi apenas um jogador que passou pelo futebol japonês; ele foi o mentor de uma revolução cultural no esporte. Ele levou para lá um código de conduta, profissionalismo e ética que moldou toda uma geração, o que justifica plenamente o título de “Samurai”. É fascinante observar como o filme conecta o talento nato de Quintino com a disciplina férrea exigida pela cultura nipônica, mostrando que o legado dele por lá é algo que transcende as quatro linhas e se tornou parte da própria identidade do futebol no país. É uma parte da história que merece ser apreciada com calma, pois mostra um brasileiro que mudou o destino de uma nação através do esporte e do respeito mútuo.
A coletiva de imprensa de hoje foi o fechamento perfeito para esse ciclo de lançamento. O ambiente estava carregado de uma energia extremamente positiva, em um clima muito amistoso e descontraído, o que é raro em eventos desse porte. Zico demonstrou estar completamente à vontade, conversando de forma aberta e transparente, sem a necessidade de respostas protocolares. Ele respondeu a todas as perguntas com uma clareza impressionante, compartilhando memórias e reflexões sobre o filme com uma naturalidade que envolveu todos os presentes. A sensação era de estar em um bate-papo entre amigos, tamanha a leveza que ele imprimiu ao encontro.
Ao final da coletiva, a generosidade do eterno camisa 10 da Gávea ficou ainda mais evidente. Longe de sair às pressas, ele fez questão de interagir com as pessoas que estavam ali, demonstrando uma paciência e uma humildade que são marcas registradas de sua trajetória. Zico tirou fotos com diversas pessoas, incluindo um registro especial comigo, e ainda dedicou tempo para fotografar e autografar várias camisetas, atendendo a todos com um sorriso no rosto. Foi um momento de proximidade genuína, que reforça por que ele continua sendo uma figura tão amada e respeitada por onde passa. Para quem admira o homem além do jogador, o dia de hoje foi uma prova viva de que a grandeza de Zico reside, acima de tudo, na sua simplicidade e no respeito que ele dedica a cada pessoa que cruza o seu caminho.
Taciana Vitti







